Venho usando esta frase que aprendi com o amigo Ricardo Ramos de Belo Horizonte mas ela nunca havia sido tão literalmente apropriada até o dia que entrei no primeiro mini mercado de Budapest na Hungria e comprar algumas coisas para levar para o hostel.
Uma descrição minha de Budapest é uma cidade escura que parece que parou em 1945 e não tem a mínima vontade de mudar isso. As pessoas não se importam se você precisa ou não de ajuda. Se eles sabem te dizer o que estão sendo perguntados, ótimo, caso contrário vão apenas dizer não sem a menor cerimônia e qualquer rastro de tentativa de se esforçar.
Parte desta minha primeira impressão vem do fato que cheguei na cidade no meio da madrugada, em uma estação de trem no meio do nada. Imagine desembarcar na Central do Brasil e sair perguntando por lá como chegar em Copacabana. Não seria exatamente a melhor experiência de qualquer pessoa.
Algumas cervejas e música para relaxar, uma boa noite de sono e a cidade se transforma na manhã seguinte. Uma caminhada ao redor do quarteirão do hostel e a ponte Margit, assim como a ilha de mesmo nome, mudam qualquer opinião. O rio Danúbio imponente e marrom passando forte por baixo da ponte e dando trabalho para o time que montava as balsasa fixas do Redbull Air Race que se iniciaria logo em seguida ao Sziget Festival. Os populares locais que usam a ilha como uma praia. Ainda do lado Pest da ponte, o Castelo, no lado Buda da cidade toma todo um morro e mesmo de longe, dá para perceber que a construção é gigangesca.
A este ponto já era segunda dia de Sziget. Para conhecer melhor a cidade, em vez de me enfiar em um metrô, decidi andar até a ilha onde o festival acontece e uma hora depois lá eu estava, atravessando a ponte que por tantas vezes vi em fotos e vídeos enquanto planejava a viagem.
Que clima de festival é sem dúvida de altíssimo astral, ninguém tem dúvida. Mas aquela ilha realmente tem uma energia diferenciada. Não sou nenhum festival warrior mas já peguei um Reading Festival, um OzzFest, dois Planeta Terra e alguns outros menores mas o Sziget é relamente especial.
Palcos que até agora não sei se consegui ver todos durante os quatro dias que estive lá. Uma cidade completa com banco, hospital, agência dos correios, curso gratuito de húngaro, spa, parque aquático, etc. Dentro de uma ilha imensa que serve de parque para a população local que ano após ano tenta acabar com o evento. Cada nova trilha que tentava, uma novidade aparecia.
Fora tudo isso, ainda rolavam mais de 300 apresentações através dos mais de doze palcos que me proporcionaram uma festa cigana com o Haydamak, o Dexter fazendo Gone Away ao piano como se fosse o Cold Play, um Mike Patton mais envelhecido, porém mais louco que quinze anos atrás, insultos do Prodigy como manda o personagem da banda, o inusitado punk blues dos húngaros Magic Mosquitos e o luxuoso Budapest Bar, cantando e tocando músicas tradicionais húngaras em um clima de arrepiar todos os pêlos do corpo.
Primeiras impressões a parte, Budapest é uma cidade que com certeza voltaria a visitar. Pena que não me planejei pensando além do Sziget que já foi sensacional, porque conhecer mais esta cidade e ainda participar do Sziget seria a perna perfeita da viagem até agora.
Como existem rumores que o ano que vem será o último ano de Sziget, é bom começar a guardar dinheiro para poder voltar.
E aqui vão algumas fotos que pessoas postaram no flickr sobre a cidade. As minhas são praticamente todas sobre o Sziget e você pode ver no link Fotos.
É isso aí! Tchau Budapest e até o ano que vem se meus planos funcionarem!
Abraço e Keep Gigging!