
Vai acontecer, ou não, no dia 06 de Junho deste ano. O primeiro comunicado indignado que recebi foi da editora chefe do Portal Rock Press, Claudia Reitberger, para quem eventualmente escrevo alguns reviews de shows e livros. O tom era de indignação total e pedidos de boicote ao festival, bandas, locais de venda de ingressos e tudo mais que fosse possível. Algumas semanas se passaram, denúncias foram feitas às autoridades de Macaé mas até agora só o que temos é uma grande discussão sem qualquer conclusão.
De um lado, os indignados com a realização do evento continuam protestando e movimentando todo veículo de comunicação que tenham acesso para evitar a realização do evento. As argumentações, obviamente, giram em torno de racismo e violência. Supostamente o headline do festival, a banda alemã Endstufe teria histórico de envolvimento em eventos racistas violentos.
Do outro lado, o organizador do evento que, também indignado, solta sua fúria contra o grupo rival na peleja. Em entrevista ao Jornal o Globo, Tony diz que ..."Skincore é um nome fantasia para a minha festa de aniversário, onde convidei amigos e bandas.". Seriam em torno de 12 bandas, todas relacionadas ao movimento.
Um pouco menos polido no blog que montou para o evento, Tony solta o verbo. O post do último 07 de Maio começa com "... Em razão do grande número de indivíduos invejosos, ignorantes, que não tem nenhum conhecimento sobre nossa cultura..." e continua com diversos esclarecimentos no intuito de mostrar que não há nenhuma conotação racista ou violenta no evento que está promovendo.
É fato que Tony tem sua parcela de razão. As origens do movimento skinhead vieram da música negra jamaicana, principalmente na forma do reagge, soul e ska. Quando exportado para a Inglaterra, foi abraçado pela classe operária que era multirracial e totalmente contra qualquer tipo de racismo.
Mas também ninguém pode esquecer que os skinheads nunca se privaram de uma boa briga. Ao se misturarem com os punks eles eram sempre os pivôs das pancadarias em shows e, como dizem as nossas avós, "diga-me com quem andas, que te direi quem és".
Mais tarde, nos meados dos anos 60, novamente foram os skinheads que se revoltaram contra os imigrantes paquistaneses e reagiram com diversos atos de violência contra os supostos, ladrões de empregos. Neste mesmo período, os skinheads, que já haviam adotado o punk como estilo musical, se associavam a organizações facistas como a National Front.
Portanto, como em qualquer discussão bilateral, não existe resposta certa até que todos os fatos sejam apurados. Ninguém encontrou nenhuma evidência concreta de envolvimento do Endstufe com ações facistas além da amizade com bandas neonazistas. Ao mesmo tempo, ninguém consegue provar que o Endstufe é da linha original e multirracial do movimento skinhead.
E como ninguém vai apurar quase 50 anos de história para saber, a melhor coisa que deve ser feita é deixar o festival rolar em nome da cultura musical e se preparar, convidados e autoridades de macaé, para o que der e vier.
Abraço e 'Keep Gigging'