A trupe do performático Tom Yorke transportou quem estava na Praça da Apoteose numa viagem de liberação poucas vezes vista no meu Rio de Janeiro.
Toda vez que leio algum review sobre shows do Radiohead, um comentário é reincidente: "É uma viagem arrebatadora que não se consegue explicar". Ontem vivi esta viagem. Para início de conversa, não era um grande fã de Radiohead. Conheço pouco o trabalho deles. E justamente por este motivo posso dizer que o Radiohead foi, junto com o Muse em 2008, os dois melhores shows que vi nos últimos anos. E olhe que do Muse eu sou muito fã.
A tour mundial do In Rainbows, último trabalho do Radiohead, baixou no meu Rio de Janeiro dentro do evento Just a Fest, produzido pela Planmusic, a cargo de Luiz Oscar Niemeyer. O festival juntou também Los Hermanos em um reencontro depois de dois anos de "férias" e os alemães do Kraftwerk.
Um pouco mais vazia que a semana anterior, quando o Iron Maiden arrebatou o local, a passarela do samba estava tomada por um estilo bem definido de público, os indies. Os grandes óculos nerds, a imensa coleção de Converses, os cabelos e maquiagens típicos, tudo isso atravessando uma faixa de idade que girava entre 17 e 50 anos. Todos curtindo uma noite que estava ótima, com uma temperatura amena, o Cristo Redentor a mostra, poucas nuvens no céu, só esperando a aterrisagem da nave Radiohead.
Da primeira a sétima música do set, o tom da apresentação era de contemplação. Era como se o alien Tom Yorke e os demais Radioheads estivessem hipnotizando o público para o que vinha pela frente. Eram sorrisos bobos estampados em rostos e corpos que oscilavam de um lado para o outro ao som de 15 Step, Airbag, There Thre, All I Need, Karma Police e Nude. E quando já estavam todos em transe, entra The National Anthem para agitar um pouco mais as coisas.
Daí para frente foi uma cadência que oscilava entre músicas cada vez com mais energia salteadas de melancolia e contemplação ao longo do set.
A produção e o palco são um espetáculo a parte. Em um dos palcos mais altos que já vi, um conjunto de telões de alta definição cortavam o fundo do palco de ponta a ponta. Cada painel tinha como alvo um dos componentes da banda. E é aí que produção fica interessante. Os componentes praticamente não sairam dos seus lugares no palco durante todo o show. Justamente para cada um ter sua tomada perfeita nos telões. Em alguns momentos, parecia estar assistindo a um clipe com todos os detalhes que uma produção permite.
Enormes "tripas' de LED desciam do topo, cobrindo todo o palco. Estes LEDs simplesmente transformavam o palco a cada momento com um espetáculo de luzes e imagens produzidas através de padrões.
A Praça da Apoteose é um desafio para qualquer equipe de técnicos e engenheiros de som. Porém, a turma do Radiohead pode se gabar de ter uma equipe de primeiríssima. Diferente do show do Iron na semana passada onde o som só ficava mesmo bom no centro do palco, a magia e os detalhes do som do Radiohead eram cristalinos em qualquer ponto da imensa pista. E olhe que eu rodei ali dentro para procurar um ponto ruim.
Se você não foi ao show, curta o set list com direito a clipes e letras no Setlist.fm.
Agora é esperar por um próximo grande espetáculo no meu Rio de Janeiro e torcer para termos a nave Radiohead sempre passando por aqui para nos abduzir novamente.
Os próximos grandes shows previstos são Kiss em 08 de Abril e o Oasis, ainda sem data definida em Maio.
Abraço e 'Keep Gigging'
Local: Praça da Apoteose, Catumbi, Rio de Janeiro
Data: 20/Março/2009
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