E bem que parecia ser um show de convidados selecionados. Um público não muito grande, não deveria passar de 1.500 pessoas. Um clima de admiração, frenesi e contamplação misturados e 279 anos de experiência acumuladas no palco fizeram um show impecável. Digno de uma banda com 39 anos de muitos encordoamentos de guitarras e baixos, peles de bateria e gasolina para Harley Davidson.

Foto: F de Falso
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Até mesmo o trânsito do meu Rio de Janeiro ajudou. O típico congestionamento insuportável de sexta-feira em direção a Barra da Tijuca não existiu. O trajeto flamengo -
Citibank Hall não levou mais de 25min. Até mesmo a abundância de vagas no estacionamento me surpreendeu.
Com tanto tempo de pista, o público presente para o
Judas Priest atravessava facilmente três gerações. Os metaleiros na casa dos 55 a 60 anos que acompanharam a banda nascer ainda mantinham camisas esfarrapadas de turnês de 10 anos atrás. Pais na casa dos 45 a 50 anos orgulhosos com seus filhos também metaleiros. E a maior porção dos convidados, os adolescentes fervorosos com as letras na ponta da língua. Estes que quando nasceram, o JP já estava na estrada em torno de 20 anos.
Com tanto tempo de trabalho, idéias e evolução musical, entrar no palco com uma calça de couro e tocar não faz a cabeça do JP. O palco é teatral. A bateria do caçula
Scot Travis bem no alto, estava lá. Um elevador e uma porta por onde
Rob Halford parcia realizar números de ilusionismo compunham o palco expressivo, com escadas laterais e plataformas que ao longo do show receberam de Rob uma bandeira cada. Com Rob esbanjando no figurino, cada música tinha um sobretudo diferente. Até
Madonna invejaria tantas trocas de roupa.
Foto: -Bish-
Licenciado nos termos do CreativeCommons.orgComo disse
Phil Ramone, "... impedir que um artista ou produtor use a tecnologia de forma criativa seria como dizer a
Geroge Lucas, diretor de
Star Wars que era inaceitável usar efeitos especiais por eles não serem reais.". O JP não teve nenhum preconceito com efeitos, principalmente na voz de Rob. Usando com maestria, Rob fazia do delay um parceiro vocal respondendo suas linhas. Ao mesmo tempo, o ambiente parecia se encher com vozes de um backing vocal digital, tudo se encaixando perfeitamente. E em alguns poucos momentos, bases pré-gravadas de vocais completavam a obra.
Havia alguma apreensão em relação ao set. O novo disco Nostradamus é um trabalho quase conceito. Alguns fãs antes do show demonstravam um pouco de desapontamento com o que escutaram no CD. O álbum resumidamente é a versão metal de um conjunto de profecias do mítico dono do nome que entitula o último trabalho e o nome da turnê do JP.
Quando a banda começou com
Prophecy, o público só reagiu mesmo à aparição dramática de Rob sob uma capa com muito brilho e o tridente símbolo da banda na mão. Mas bastou entrar logo em seguida
Metal Gods para explodir a adrenalina dos convidados.
De Metal Gods em diante, o JP ganhou todos, cada um ao seu estilo. Os mais saudosos e contempativos sorrindo e balançando as cabeças de forma cadeciada à bateria de
Scot Travis, os "air-guitar-players-head-bangers" sacudindo a cabeleira e os mais dispostos no gargarejo, pulando sem parar. Enquanto isso no palco, Glenn Tipton, K. K. Downing, Rob e Ian Hill eventualmente lançavam a sua conhecida coreografia que sincroniza o movimento de todos, de um lado para o outro ao passo da música.
Breaking The Law e
Between The Hammer & Anvil foram as que mais contagiaram, junto com claro,
Pain Killer que de tanta sintonia com o público, pareceu ser um pedido atendido pela banda. Ao final de Sinner, todos começaram a pedir Pain Killer que foi imediatamente entoada pelo JP e que seguiu para o fechamento da primeira seção do show.
No retorno para o bis, a tradicional Harley Davidson invade o palco com Rob no comando. Ali ele cantou as próximas duas ou três músicas e seguiu para o fechamento do show que durou exatos 1h40min.
Na saída, pareciam todos relaxados, tranquilos. Como se acabassem de sair de algum tipo de ritual que teria removido qualquer preocupação ou stress. Só eram vistos sorrisos e ouvidos comentários admirados sobre a apresentação dos vovôs do Judas Priest.
Abraço e até a próxima